Grupo A Tribuna demite no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Na terça-feira (3), em pleno Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Grupo A Tribuna demitiu jornalistas fazendo persistir o clima de medo e incerteza que predomina em suas nas redações há meses.

Até o fechamento da edição, dois jornalistas foram dispensados, como parte de uma restruturação empresarial e uma nova dinâmica do trabalho jornalístico, que não envolve diálogo, sequer transparência, sobre o destino dos profissionais que lá trabalham.

O Sindicato dos Jornalistas (SJSP), ao ser informado das demissões, contatou imediatamente os dispensados para colocar o Jurídico à disposição e no mais que fosse necessário.

O SJSP enviou questionamentos à empresa, inclusive sobre a intenção de novas demissões. Mais uma vez, o Grupo A Tribuna usa, distorcidamente, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para justificar suas atitudes antissindicais e não informar o que é de interesse público. Ignora que o Sindicato, no uso de suas atribuições de legítimo representante dos interesses coletivos da categoria, em nada fere a LGPD.

Essa alegação tosca engrossa o caldo de intransigência que parece cravada na filosofia da empresa, tanto administrativamente, como nas relações de trabalho.

Falar de liberdade de imprensa implica defender garantia de emprego, condições dignas de trabalho e respeito ao direito de organização sindical dos jornalistas, que não podem desempenhar plenamente sua tarefa de informar em clima de insegurança de todo o tipo. 

Entrada nas redações
Exemplo de intransigência no grupo é o receio em permitir a entrada de diretores do Sindicato nas redações, direito estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho. A resposta às solicitações do Sindicato é que as redações não estão recebendo visitas devido à fase atual da pandemia. 

Na verdade, em nenhuma fase da pandemia o grupo autorizou entrada do Sindicato. E não é realidade que ninguém entra: candidatos entraram durante as eleições municipais e muita gente continua visitando instalações do grupo. Mas a direção sindical, com uso de máscaras sobrepostas e álcool gel, seguindo rigorosamente o distanciamento que o protocolo sanitário exige, não pode entrar para falar com os jornalistas sobre seus direitos!

Papel da imprensa na pandemia
A realidade é que os jornalistas, durante toda a pandemia, prestam um serviço essencial para o enfrentamento da covid-19, informando a população, mostrando a situação de precariedade dos hospitais etc. Mesmo o governo Bolsonaro, que ataca nossa categoria constantemente, publicou decreto, ano passado, definindo as atividades de imprensa como essenciais.

Na pandemia, o Jornalismo segue com sua audiência em todos os segmentos, recebe publicidade, mantém verbas públicas e sustenta lucros nas empresas de comunicação, favorecidas também pela implantação do teletrabalho.

Os jornalistas, no entanto, tiveram aumento da carga de trabalho, exposição ao contágio e redução de salários, mesmo com inflação em alta, aumentos dos combustíveis, alimentos e aluguéis.

Mas o Grupo A Tribuna trata de assombrar a mão de obra do Jornalismo - seu produto primário, anterior aos cliques - com o fantasma das demissões a conta gotas, na tentativa de anestesiar a categoria.

Em todas as empresas
O SJSP se coloca à disposição para reunir jornalistas de qualquer empresa de comunicação para discutir e, coletivamente, buscar saída para os problemas, que só podem ser enfrentados com a categoria unida e organizada, junto ao seu sindicato.

É muito importante manter sempre o Sindicato informado, como no caso de a empresa propor acordo individual de redução de salário.

Também é essencial participar das assembleias de campanha salarial que estão por vir, nos diversos segmentos. Pessoal de rádio e tv tem nesta quinta-feira (5), às 11h e às 20h. Todos à assembleia!

Agir coletivamente é a chamada principal!