Bolsonaro coloca saúde de jornalistas em risco em novo ataque contra a categoria

Presidente volta a agir com machismo e misoginia

Questionado sobre não usar máscara, Bolsonaro ataca repórter enquanto tira a máscara em Guaratinguetá / Foto: reproduçãoQuestionado sobre não usar máscara, Bolsonaro ataca repórter enquanto tira a máscara em Guaratinguetá / Foto: reprodução

Ao dar entrevista nesta segunda-feira (21), em Guaratinguetá (SP), o presidente Jair Bolsonaro retirou a máscara enquanto gritava a pequena distância com a jornalista Laurene Santos, expondo deliberadamente a profissional e o repórter cinematográfico André Bias ao risco de contágio de covid-19. Os profissionais faziam cobertura da visita do presidente à cidade para a TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam a atitude brutal e misógino do presidente. Ela se deu em novo caso de ataque ao exercício profissional do jornalismo, que Bolsonaro já provou reiteradamente desprezar, tanto quanto despreza a própria democracia.

Aos gritos, Bolsonaro afirmou: “Essa Globo é uma merda de imprensa! Vocês são uma merda de imprensa! Cala a boca! Vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha. Vocês não prestam, a Rede Globo não presta. Você tinha que ter vergonha na cara de prestar um serviço porco desse que você faz na Rede Globo.”

O “serviço” da jornalista a que Bolsonaro se refere, de forma baixa e torpe, foi questioná-lo sobre ter chegado ao local sem máscara. A pergunta era, como registrada em vídeo, de absoluto interesse público, e buscava estabelecer a responsabilidade do presidente da República sobre seus próprios atos. Incapaz de oferecer uma resposta, Bolsonaro parte para a ofensa e a agressão, como faz toda vez que o trabalho jornalístico cumpre seu dever de cobrar justificativas ou esclarecimentos do governo federal: o que se expressa é a sua própria incapacidade de apresentar justificativas ou esclarecimentos sobre os seus atos, manifestando um profundo desprezo pela liberdade de imprensa como preceito fundamental da democracia.

Além disso, o tratamento humilhante contra mulheres é uma característica da dinâmica patriarcal, que determina uma realidade de assédio físico, psicológico, moral, sexual e patrimonial, num país que é o quinto do mundo em número de feminicídios. Esse tipo de situação não pode, nem deve se repetir. É ofensivo e anacrônico.

Bolsonaro afirmou: “Eu chego como eu quiser, onde eu quiser”. Isso não é verdade. Em São Paulo, por força do Decreto 64.959, o uso de máscara é obrigatório, e é inacreditável que o mais alto mandatário do país se sinta no direito de, conscientemente, desrespeitar legislações estaduais. 

O fato é que o presidente, responsável direto por meio milhão de mortes, decorrentes da falta de medidas de enfrentamento à pandemia, desde o início, bem como pela fome decorrente da falta de auxílio digno à população atingida pela catástrofe em curso, mostra um descontrole total diante das manifestações de protesto por "Fora Bolsonaro" que agruparam centenas de milhares de brasileiros em 19 de junho. Pouco antes das agressões à equipe de jornalismo, sentiu o peso do repúdio pelas vozes dos próprios cidadãos de Guaratinguetá, que gritavam "Genocida" e "Fora" em sua presença.

A regional Vale do Paraíba do Sindicato dos Jornalistas está em contato com a redação da TV Vanguarda e oferece à Laurene e André seu apoio para todas as medidas que foram cabíveis. O SJSP e a Fenaj expressam sua solidariedade às(aos) jornalistas da Rede Globo de Televisão, contra as revoltantes agressões do cidadão desqualificado que ocupa a cadeira de presidente. O Sindicato move desde 7 de abril de 2021 uma ação por danos morais coletivos contra Bolsonaro por ataques como este.

Os jornalistas brasileiros não aceitam ordens ou gritos de cala a boca! O jornalismo é um pilar da democracia!
 

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Federação Nacional dos Jornalistas