Rádio e TV: Campanha Salarial chega à 7ª rodada sem avanços nas negociações

Patrões continuam insistindo na pauta apresentada em 15 de dezembro, ignorando as contrapropostas dos jornalistas. Sindicato discute rumos da campanha com a categoria.

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Até a próxima rodada, Sindicato dialoga com os jornalistas para apresentar uma contraproposta às empresas. Foto: Flaviana Serafim/SJSPAté a próxima rodada, Sindicato dialoga com os jornalistas para apresentar uma contraproposta às empresas. Foto: Flaviana Serafim/SJSPA Campanha Salarial de Rádio e TV 2017-2018 chegou à sétima rodada nesta terça-feira (30) sem avanços nas negociações entre trabalhadores e empresários.

Apesar das várias contrapropostas apresentadas pela bancada dos jornalistas, e votadas pela categoria em assembleias neste mês de janeiro, as empresas seguem mantendo a proposta apresentada em 15 de dezembro - ou seja, 2,5% de reajuste nos salários e benefícios, e a retirada de diversos direitos da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), entre os quais o fim do quinquênio e do salário adicional pago na demissão de jornalistas com mais de 45 anos de idade, sem qualquer contrapartida.

Além de não aceitar a reivindicação dos jornalistas de 3% de reajuste salarial, nem a manutenção ou inclusão de novas cláusulas na CCT, nesta rodada os empresários também não aceitaram estender a validade da Convenção Coletiva, que estava garantida até o último dia 19 de janeiro, e destacaram que a proposta patronal tem validade até o próximo dia 8 de fevereiro. 

“A disposição das empresas em negociar é da boca para fora, pois os patrões continuam mantendo a pauta apresentada em dezembro. Nós discutimos e apresentamos várias contrapropostas desde então porque não é uma negociação cosmética”, criticou Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).

Na mesa, o sindicalista propôs, inclusive, a retirada de itens da contraproposta dos jornalistas, como os relativos à contribuição sindical e assistencial, “para que essas cláusulas não sejam utilizadas como justificativa para que não ocorram avanços na negociação”, pontuou Zocchi. Para o presidente do SJSP, “se a postura das empresas é da inflexibilidade, então, melhor a retirada das cláusulas porque nestes termos não dá para negociar”.

A alegação patronal para a insistência na pauta apresentada em dezembro é que as propostas já estão delimitadas de acordo com as possibilidades das empresas. Na visão dos empresários, a bancada dos jornalistas é que estaria sendo "intransigente" com a tentativa de mudar as cláusulas e que não é possível “barganhar”.

Em resposta aos empresários, a direção do SJSP ressaltou que nada está sendo barganhado, mas que numa negociação é preciso analisar o problema de acordo com as características concretas, sendo impossível ignorar o impacto da perda de direitos para os trabalhadores e as trabalhadoras.

As empresas alegaram, ainda, que os jornalistas não estariam informados sobre a proposta patronal, e a direção do SJSP ressaltou, na mesa, que os profissionais tanto foram devidamente informados nas assembleias, como toda a campanha está sendo divulgada amplamente no site e na redes sociais da entidade. 

Clique e confira as informações de todas das rodadas da CampanhaClique e confira as informações de todas das rodadas da CampanhaConfira as notícias e vídeos da Campanha Salarial de Rádio e TV 2017-2018, e a contraproposta dos jornalistas entregue em 19/01 ao patronal. 
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Terceirização, homologação e quinquênio  - Na negociação, os jornalistas reforçaram, ainda, que a questão econômica não é a única prioridade da Campanha Salarial, mas também a manutenção de cláusulas sociais que já fazem parte da CCT. Por isso, os patrões também foram questionados para se posicionarem quanto a pontos específicos da contraproposta dos jornalistas, pois até então haviam simplesmente recusado as cláusulas sem apresentar argumentos para a negativa aos profissionais.

Sobre a cláusula para barrar ou regular a terceirização nas emissoras, os representantes do patronal disseram que, antes da reforma trabalhista, a legislação já liberava essa forma de contratação de trabalho e que as empresas não vão aceitar um impedimento. Quanto à continuidade da homologação de demissões no SJSP, explicaram que a reforma derrubou essa obrigatoriedade e que nada impede o profissional de conferir a rescisão de trabalho no Sindicato, mas seguem não concordando com a cláusula proposta pelos jornalistas.

Em relação ao quinquênio, que representa um acréscimo de 3% de salário a cada cinco anos de trabalho, os empresários afirmaram que não concordam com essa diferenciação de salário, mas que o SJSP pode apresentar uma forma de compensar a perda desse direito na CCT. 

A oitava rodada está agendada para o próximo dia 6 de fevereiro, no Sindicato Empresas Rádio Televisão Estado São Paulo (Sertesp), na zona oeste paulistana. Até a nova reunião, o SJSP discute com a categoria os próximos passos da Campanha Salarial para apresentar uma contraproposta ao Sertesp.

Confira também o vídeo com informe à categoria sobre a sétima rodada de negociação: