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Rádio e TV: Campanha Salarial 2017-2018 tem segunda rodada de negociação

Empresários seguem recusando inclusão de cláusulas sociais e querem excluir direitos econômicos já garantidos na Convenção Coletiva; próxima rodada é dia 12/12

Os dirigentes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) participaram nesta quarta-feira (6) da segunda rodada da Campanha Salarial de Rádio e TV 2017-2018, com negociação na sede do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), na região oeste da capital paulista.

Na rodada, os empresários deram continuidade à análise das cláusulas sociais reivindicadas pelos jornalistas do setor e, assim como na primeira negociação, o mote patronal foi a aplicação irrestrita da nova legislação trabalhista, negando a inclusão de novos pontos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para proteção dos profissionais diante da reforma.

Do conjunto de cláusulas sociais propostas pela bancada dos trabalhadores, os empresários recusaram até a inclusão de um item para impedir que mulheres jornalistas grávidas ou lactantes trabalhem em local insalubre.

Na primeira rodada, em 28 de novembro, o Sertesp já havia recusado a inclusão na CCT do direito de consciência do jornalista e do adicional de penosidade, de 50% por hora trabalhada,aos repórteres cinematográficos e repórteres que, no exercício da função, precisem se deslocar com equipamentos pesando acima de três quilos. A nova redação para as cláusulas de combate aos assédios moral e sexual também foi rechaçada. 

Quanto à pauta econômica, a proposta das empresas é de reajuste 2,5% nos salários e benefícios. A inflação medida pelo INPC acumulada desde a última data base, em 1º de dezembro de 2016, ainda não foi divulgada, mas a projeção é de que cerca de 2%, o que permitiria aos jornalistas recuperar parte das perdas da Campanha Salarial do ano passado, quando o reajuste ficou abaixo do índice inflacionário.

Por outro lado, os patrões insistem em excluir ou alterar cláusulas econômicas que já fazem parte da CCT. Entre as exclusões estão o direito ao salário adicional pago nas demissões de jornalistas com mais de 45 anos de idade e há no mínimo dois anos na empresa e também o quinquênio, que garante adicional de 3% do salário a cada cinco anos trabalhados.

No caso do quinquênio, a proposta patronal é de manter esse direito até a próxima data base, em 1º de dezembro de 2018. A partir de então, o percentual seria congelado para os jornalistas que já adquiriram esse direito e, para os futuros contratados, o quinquênio não será concedido.

No caso de viagens, as empresas querem retirar o direito à diária substituindo pelo controle de jornada à distância com pagamento apenas de horas extras trabalhadas. Para o banco de horas, a avaliação patronal é que deve valer de acordo com a reforma trabalhista, ou seja, com até seis meses de prazo para compensação.

“O desafio da categoria para essa campanha é melhorar a proposta econômica e, por outro lado, lutar por cláusulas sociais que permitam manter as nossas condições de trabalho que já não são fáceis”, afirma Paulo Zocchi, presidente do SJSP.

Até o momento, a resposta patronal foi apenas verbal para a pauta econômica, para as novas reivindicações e para as cláusulas já existentes que as empresas querem modificar na CCT, e a promessa dos empresários é de que a proposta formalizada por escrito será entregue na semana que vem.

A terceira rodada de negociação ocorre na terça-feira (12), às 14h, na sede do Sertesp.