Jornal Cruzeiro do Sul deixa trabalhadores expostos à contaminação pelo novo coronavírus

O jornal centenário é dirigido pela FUA e assumiu uma postura genocida ao se omitir diante de casos de Covid-19 entre seus funcionários

Por Redação - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

O jornal Cruzeiro do Sul não adotou as medidas sanitárias adequadas para proteger os trabalhadores após a confirmação de casos de funcionários com Covid-19 e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) está acionando os órgãos governamentais competentes.

No dia 22 de junho, um trabalhador do setor administrativo foi afastado após testar positivo para Covid-19; uma colega de trabalho dele foi afastada hoje (1º) após também testar positivo, ela trabalhou normalmente até ontem (30); na semana anterior uma funcionária do comercial passou mal nas dependências do jornal, hoje (1º) foi confirmado positivo para Covid-19; outros funcionários estão com suspeita. Segundo apurado pelo SJSP, os jornalistas não sabem dizer quantos e quais são os funcionários com suspeita e contaminados, porque a direção do jornal não emitiu comunicado oficial e nenhuma medida de contenção da disseminação do vírus foi adotada até o presente momento.

“A situação é extremamente preocupante e a omissão da direção do Cruzeiro do Sul e da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), que é mantenedora do jornal, beira a uma política genocida de Recursos Humanos. Os jornalistas, assim como os trabalhadores dos demais setores, estão desprotegidos e bastante nervosos e preocupados, pois o risco de contaminação é altíssimo e nada está sendo feito pela direção do jornal”, afirma a diretora da Regional Sorocaba do SJSP Fabiana Caramez.

A estrutura física do prédio do jornal Cruzeiro do Sul coloca os trabalhadores de todos os setores em permanente contato, além do prédio não ter muitas janelas e ter ar condicionado central. O salão onde fica a redação é um espaço de trânsito dos trabalhadores de todos os demais setores. Atualmente, redação, marketing, circulação, comercial e vendas ficam em um mesmo espaço físico e os setores financeiro, jurídico e RH ficam em uma sala ao lado, cuja entrada se dá pela redação. Além disso, os banheiros e os refeitórios são compartilhados.

O SJSP enviou ofício ao jornal no dia 27 de junho pedindo reunião de urgência e a adoção de uma série de medidas para proteger os trabalhadores, como colocar os jornalistas em teletrabalho (home office), providenciar teste laboral de Covid-19 para todos os trabalhadores, realizar desinfecção de todo o prédio, disponibilizar equipamentos de proteção individual adequados e em número suficiente conforme determinação da OMS, adequar a estrutura do prédio para quem tiver que permanecer trabalhando presencialmente, medir temperatura de todos que chegam ao jornal, afastar imediatamente para quarentena, sem prejuízo de vencimentos, qualquer trabalhador que tiver sintomas gripais, entre outras medidas de proteção.

“Nós ficamos sabendo que o jornal não adotou nem as medidas mais simples para proteção de seus funcionários. As máscaras entregues são muito finas e em número insuficiente, pessoas do grupo de risco estão trabalhando presencialmente e outras que estão em home office são constantemente chamadas a comparecem na redação, até semana passada o refeitório continuava no estilo self-service. Uma sucessão de erros e de má administração que coloca a vida de todos em risco”, alerta o diretor da Regional Sorocaba do SJSP Pedro Courbassier.

O jornal Cruzeiro do Sul chegou a colocar em home office um número considerado de jornalistas, mas desde o dia 11 de maio exigiu o retorno de todos à redação. 

“O jornal e a Fundação Ubaldino do Amaral fazem para a sociedade uma campanha de combate à Covid-19 e apoio às pessoas, mas internamente são irresponsáveis, não protegem seus funcionários, deixando-os expostos à contaminação e contribuindo para a saturação do sistema de saúde da cidade”, afirma o secretário de Interior e Litoral do SJSP José Eduardo de Souza.