Correio Popular: greve completa 100 dias e jornalistas contam com apoio da categoria

TRT determinou quitação da dívida com os profissionais, mas a empresa campineira pediu esclarecimentos da sentença, protelando o pagamento. Contribua com o fundo de greve!

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Assembleia em frente à RAC, na Vila Industrial, em Campinas. Foto: Paulo Zocchi/SJSPAssembleia em frente à RAC, na Vila Industrial, em Campinas. Foto: Paulo Zocchi/SJSPA greve dos jornalistas por falta de pagamentos na Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), de Campinas, completou 100 dias nesta sexta-feira (25) e a empresa, responsável pelos jornais Correio Popular e Notícia Já, entre outras publicações, continua devendo aos profissionais, não dialoga com os grevistas nem com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). 

Com o movimento paredista, que começou em 14 de fevereiro, os grevistas conquistaram uma vitória no Tribunal Regional da 15ª Região (TRT15-Campinas) no último dia 9 de maio, quando, por unanimidade, o TRT reconheceu a legitimidade da greve e determinou que a RAC quite integralmente os débitos acumulados com os trabalhadores e trabalhadoras, o que significa o pagamento dos salários em aberto desde janeiro, os dias parados durante a greve, o 13º de 2017, seis meses de vales refeição e alimentação, o adicional de um terço aos que saíram de férias no últimos dois anos, mais os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que estão irregulares desde 2014.

O prazo para quitação da dívida terminou neste 24 de maio, mas a empresa solicitou embargos de declaração, instrumento jurídico no qual a rede pede esclarecimentos sobre a sentença. Com os embargos, a ação movida pelo SJSP volta ao relator e aos desembargadores que julgaram o processo para que o Tribunal se manifeste, o que deve protelar a quitação dos débitos e fazer a empresa ganhar tempo por cerca de 30 dias, deixando ainda mais crítica a situação dos grevistas, que estão há meses com salários em aberto o e há dois anos sofrem com os atrasos frequentes nos pagamentos.

Diante da gravidade da situação, a direção do SJSP ressalta a importância da categoria apoiar os jornalistas da RAC colaborando com o fundo de greve, contribuindo com qualquer valor. Toda a arrecadação é destinada ao pagamento emergencial dos grevistas e a gestão dos recursos é feita pelos próprios jornalistas da rede que participam da mobilização.

Para fazer depósito ou transferência bancária ao fundo de greve, os dados são os seguintes:

Caixa Econômica Federal
Agência 4070
Conta corrente 1143-3
(caso o depósito ou transferência seja entre contas da Caixa, o código da operação é 003)
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
CNPJ 62.584.230.0001-00

Quem preferir, pode colaborar com o fundo de greve doando cesta básica na sede da Regional Campinas do SJSP, na Rua Dr. Quirino nº 1319, 9° andar, no centro campineiro.

Ampliar a greve é essencial

Na tarde deste 25 de maio, a direção do Sindicato, os grevistas e os que ainda continuam trabalhando na RAC fizeram assembleia em frente à empresa, na Vila Industrial, com a participação de cerca de 50 trabalhadores e trabalhadoras.

Na assembleia, o advogado Marcel Roberto Barbosa, responsável pelo processo, esclareceu as dúvidas quanto à sentença, ressaltando que a decisão do TRT beneficia grevistas e não grevistas. Os sindicalistas e os jornalistas que estão de braços cruzados procuraram sensibilizar quem ainda continua trabalhando a aderir ao movimento e ampliar a paralisação para pressionar a empresa, que há dois anos atrasa frequentemente os pagamentos.  

Na avaliação de Paulo Zocchi, presidente do Sindicato, a ampliação do movimento é essencial e levará à RAC a negociar em poucos dias. “A greve é heroica, e nesses 100 dias os grevistas mostraram que o movimento tem força e é legítimo. Exigimos que a empresa volte a pagar os salários e resolva logo essa situação”, diz o sindicalista.

Para Agildo Nogueira Júnior, diretor da Regional Campinas do SJSP, a postura intransigente da direção da rede é ruim “porque não estão pagando nem os dias em greve, mesmo sabendo que isso está na sentença. A RAC continua não procurando o diálogo com o Sindicato e inclusive mentiu alegando que não havia sido intimada para comparecer ao julgamento, mas sabemos que o advogado e a empresa foram comunicados”. Para o dirigente, a rede deveria ter uma postura mais aberta à negociação e ao diálogo com o Sindicato e com seus próprios trabalhadores.

Proprietária dos jornais Correio Popular, Notícias Já e Gazeta de Piracicaba, das revistas Metrópole e VCP News, e do portal RAC.com, a RAC vem atrasado os pagamentos de salários, benefícios e férias desde o final de 2015. Desde então, os jornalistas têm sofrido com a crise financeira, o que levou vários profissionais a se endividarem para continuar sobrevivendo, além de casos de adoecimento na redação, com estresse e depressão.

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