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SJSP e Fenaj divulgam nota sobre tratamento da mídia ao MST PDF Imprimir E-mail
08 de fevereiro de 2010
As diretorias do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, vêm a publico repudiar o desrespeito de alguns veículos de comunicação brasileiros tanto os nacionais quanto os regionais para com as fontes e leitores/telespectadores e ouvintes na medida em que não colocam em prática uma obrigação primária do jornalismo sério, exatamente, a oportunidade do contraditório. É dever dos jornalistas e obrigação das direções dos veículos de comunicação social ouvir as várias partes envolvidas em uma reportagem/matéria a fim de permitir que o receptor possa avaliar por si próprio o conteúdo e formar seu juízo de valor.

É lamentável que veículos de comunicação se prestem a produzir matérias e reportagens que não permitem as partes envolvidas na questão, as quais, neste caso, é integram o contexto de conflito agrário. É obrigação do jornalismo apresentar os argumentos de ambos os lados e não é o que –lamentavelmente – se observa nas matérias sobre a prisão de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, que são apresentados como usurpadores da propriedade alheia, sem que a esses fosse assegurado o direito elementar de se pronunciarem.

Com raras exceções, são veiculadas  - e ainda que em espaço inferior – informações de que se tratam de terras de propriedade da União (públicas, portanto) mas que a mídia afirma como se de fato de empresas privadas, como é o caso do grupo Cutrale. Em momento algum, a maioria dos veículos de comunicação mostra com destaque que há uma disputa judicial sobre de quem é verdadeiramente a propriedade da terra.

Por outro lado, é igualmente anti-ética e imoral a veiculação de imagens produzidas sabe-se lá em que circunstâncias e por quem – pois embora tragam ilegalmente o crédito de “cinegrafista amador” – em algumas imagens, como as da derrubada dos laranjais, a produção foi mesmo de autoria de oficial da Polícia Militar em Bauru, produzidas dentro do helicóptero da corporação, cujos custos de manutenção são pagos pelo Estado, ou seja, a partir dos recursos dos cidadãos e, portanto, públicos!

Igualmente condenável, porque imoral e anti-ético, é  a troca de gentilezas entre os jornalistas e as fontes de informação (neste caso o comando da Polícia Civil) para a exclusividade. Os jornalistas deveriam questionar as circunstâncias de sua produção e apropriação e não dar absoluto crédito ao material que a polícia obteve, também sabe-se lá como e que no momento acha-se fora de contexto.

Nos últimos anos, o baronato da mídia tem se comportado de forma anti-democrática e avessa a qualquer regra. É decorrência desse comportamento o fim da Lei de Imprensa que resultou no fim do direito de resposta, bem como do fim da exigência da formação em jornalismo para o exercício da profissão e de outras investidas contra toda e qualquer regulação – que existem nos países os mais avançados e democráticos. O baronato da mídia quer se ver livre de qualquer obrigação, inclusive de respeito aos direitos básicos e fundamentais,como os direitos humanos.

Assim é esta nota para repudiar o tratamento da mídia de modo geral sobre temas caros aos cidadãos e à democracia brasileira.

Nota da direção Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e da Federação Nacional dos Jornalistas sobre a cobertura da mídia que pratica o anti-jornalismo

 

 

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