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A CBM (Cia. Brasileira de Multimídia), de Nelson Tanure, se responsabilizará pela edição da Gazeta Mercantil só até sexta-feira (29/5). Foi o recado dado pela CBM nesta terça-feira (26/5), no Rio, ao presidente do Sindicato, Guto Camargo, e o assessor jurídico, Jefferson Martins de Oliveira, na reunião em que estiveram Thereza Assunção, diretora de RH, e Eduardo Jacome, CEO da empresa. Nesta quarta-feira (27/5), às 15h, haverá Assembleia Específica na Gazeta para encaminhar a luta pela garantia de emprego e direitos dos jornalistas. A situação é tensa.
O jornal fundado em 1920 pode fechar. A alardeada capacidade empresarial de Tanure não foi suficiente para sanear e recuperar o tradicional jornal especializado em economia. Ele devolve a Gazeta a Luiz Fernando Levy a partir de segunda-feira (1º/6). Este, no entanto, disse aos funcionários que não quer o jornal de volta e promete também soltar um comunicado quarta (27/5) ou quinta-feira (28/5). Segundo os diretores da CBM a primeira manifestação para devolução do título para Levy foi feita dia 7/5, mas oficialmente não houve nenhuma resposta. “O Sindicato se preocupa com os direitos trabalhistas e lamenta que a Gazeta Mercantil venha a desaparecer. Além da diminuição do já acirrado mercado de trabalho, faz com que se concentre os meios de comunicação nas mãos dos patrões”, afirma Guto Camargo. Na reunião no Rio os diretores da CBM disseram que a empresa se responsabilizará apenas pelas dívidas dos últimos cinco anos, quando deteve o licenciamento e uso da marca para publicação da Gazeta Mercantil. A Assembleia desta quarta-feira havia sido marcada porque os jornalistas da Gazeta e da Editora Peixes, como parte da CBM, vêm trabalhando em meio ao caos, com seguidas quebras de acordos, atrasos constantes de salários (e até de fornecedores de energia elétrica e da gráfica terceirizada). Com a notícia de que haveria mais 20 demissões na sexta-feira (22/5), o Sindicato se mobilizou e solicitou, por meio de um ofício, uma reunião imediata com a diretoria da Gazeta para abertura de negociações e um compromisso de que antes das conversações ninguém seria despedido. O acordo foi cumprido e não houve dispensas. No entanto, o Sindicato foi surpreendido com o comunicado de Tanure. Em meio a essa situação turbulenta, ao tentar falar sobre isso com os jornalistas na redação da Gazeta, na tarde de quinta-feira, o secretário geral do Sindicato, André Freire, foi ‘escoltado’ para fora do prédio pelo diretor jurídico da empresa, Djair de Souza Rosa. André nem pôde entregar um jornal Mural explicando a situação aos funcionários. Pagando para fazer matéria Jornalistas também denunciam que foram cortadas na Gazeta as ajudas de custo às sucursais para pagamentos de telefone, internet e deslocamento para as reportagens. Pelo acordo feito com a empresa, os valores seriam incluídos no salário – não foi cumprido. Funcionários da Editora Peixes estão com salários atrasados, assim como PJs da Gazeta (alguns receberam na quinta-feira, dia 21/5). O Grupo CBM não depositou no dia 20/4 uma das parcelas do acordo feito na Justiça, no valor de R$ 400 mil cada (11 foram pagas). A dívida total deve ser quitada em até 35 parcelas. Credores pretendem obter a penhora de bens e ativos financeiros das empresas do grupo, inclusive o título, o que pode piorar ainda mais a situação da empresa. Comunicado da CBM A empresa comunicou a rescisão de uso da marca Gazeta Mercantil, assinado em 2003. Diz que “num grande esforço empresarial, e sensível às dificuldades por que passa o setor de mídia, a CBM decidiu proceder à realocação dos funcionários dedicados à edição do jornal para outras atividades dentre as publicações impressas e online do grupo”. E prossegue: “Embora o contrato de licenciamento conferisse à empresa da CBM unicamente a edição e comercialização do jornal, durante o período em que esteve em vigor adiantaram-se recursos para saldar inúmeras obrigações de responsabilidade da GZM S/A e da GZM Participações Ltda., empresas do sr. Luiz Fernando Levy, em sua maioria decorrentes de processos trabalhistas e dívidas com fornecedores (...). Tais adiantamentos fazem da CBM credora da Gazeta Mercantil S/A. (...) Não é sem constrangimento que se vem constatando que os dirigentes da Sociedade Anônima da GZM agem de forma contrária aos dispositivos do Contrato de Licenciamento. Sobretudo na tentativa de atribuir à nossa empresa, de forma infundada, inconsequente e irresponsável, condição de sucessora das obrigações trabalhistas da GZM S/A e da Gazeta Mercantil Participações Ltda., com a finalidade de salvaguardar interesses pessoais do seu controlador. (...) Não obstante, adiantamos recursos para saldar inúmeras obrigações de responsabilidade da GZM S/A e da GZM Participações Ltda., em sua maioria decorrentes de processos trabalhistas, especialmente aqueles que gravavam bens pessoais de titularidade do sr. Luiz Fernando Levy. O valor de tais obrigações foi atestado pela idônea e renomada empresa de auditoria BDO Trevisan e supera R$ 100.000.000 (cem milhões de reais) ao longo dos últimos 5 anos. (...) A CBM já manifestou formalmente à empresa de Luiz Fernando Levy que está disposta a colaborar para que se dê continuidade, sem interrupção, à publicação do jornal a partir de 1º de junho. Caso a empresa de Luiz Fernando Levy decida não assumir suas responsabilidades como editora do diário, o direito de uso da marca poderá destinar-se a entidade sem fins lucrativos criada mediante entendimentos entre funcionários e o Tribunal da Justiça do Trabalho, com vistas ao usufruto de rendas oriundas da comercialização do jornal. Estamos dispostos a colaborar com essa alternativa, caso ela seja de interesse de todos. Consultas nesse sentido estão sendo realizadas pelo Departamento Jurídico da CBM junto a autoridades competentes e funcionários. Nos próximos dias, este processo de transição, incluindo o reposicionamento de funcionários, estará a cargo de Eduardo Jacome, Jackson Fullen, Marcello D’Angelo, Djair Souza e Thereza Assunção.” |