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Aumentou a insegurança e a tensão entre os jornalistas da Gazeta Mercantil depois do comunicado distribuído nesta segunda-feira (25/5) pela CBM, Cia. Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure, rescindindo o licenciamento e uso de marcas para publicação do jornal. Na prática, Tanure quer devolver a Gazeta a Luiz Fernando Levy, mas este disse aos funcionários que não quer o jornal de volta e promete também soltar um comunicado quarta (27/5) ou quinta-feira (28/5).
Segunda-feira (25/5), o presidente do Sindicato, Guto Camargo, e o secretário geral, André Freire, estiveram na Gazeta. Nesta terça (26/5), Guto e a assessoria jurídica do Sindicato se reunirão com a diretoria da CBM no Rio, para tratar do assunto. A situação é tensa. Uma Assembleia Específica foi marcada entre o Sindicato e os funcionários para quarta-feira (27/5), às 15h, na redação da Gazeta. A Assembleia havia sido marcada porque os jornalistas da Gazeta e da Editora Peixes, como parte da CBM, vêm trabalhando em meio ao caos, com seguidas quebras de acordos, atrasos constantes de salários (e até de fornecedores de energia elétrica e da gráfica terceirizada). Com a notícia de que ainda haveria mais 20 demissões na sexta-feira (22/5), o Sindicato se mobilizou e solicitou, por meio de um ofício, uma reunião imediata com a diretoria da Gazeta para abertura de negociações e um compromisso de que antes das conversações ninguém seria despedido. O acordo foi cumprido e não houve dispensas. No entanto, o Sindicato foi surpreendido com o comunicado de Tanure. Em meio a essa situação turbulenta, ao tentar falar sobre isso com os jornalistas na redação da Gazeta, na tarde de quinta-feira, o secretário geral do Sindicato, André Freire, foi ‘escoltado’ para fora do prédio pelo diretor jurídico da empresa, Djair de Souza Rosa. André nem pôde entregar um jornal Mural explicando a situação aos funcionários. Pagando para fazer matéria Jornalistas também denunciam que foram cortadas na Gazeta as ajudas de custo às sucursais para pagamentos de telefone, internet e deslocamento para as reportagens. Pelo acordo feito com a empresa, os valores seriam incluídos no salário – não foi cumprido. Funcionários da Editora Peixes estão com salários atrasados, assim como PJs da Gazeta (alguns receberam na quinta-feira, dia 21/5). O Grupo CBM não depositou no dia 20/4 uma das parcelas do acordo feito na Justiça, no valor de R$ 400 mil cada (11 foram pagas). A dívida total deve ser quitada em até 35 parcelas. Credores pretendem obter a penhora de bens e ativos financeiros das empresas do grupo, inclusive o título, o que pode piorar ainda mais a situação da empresa. Comunicado da CBM A empresa comunicou a rescisão de uso da marca Gazeta Mercantil, assinado em 2003. Diz que “num grande esforço empresarial, e sensível às dificuldades por que passa o setor de mídia, a CBM decidiu proceder à realocação dos funcionários dedicados à edição do jornal para outras atividades dentre as publicações impressas e online do grupo”. E prossegue: “Embora o contrato de licenciamento conferisse à empresa da CBM unicamente a edição e comercialização do jornal, durante o período em que esteve em vigor adiantaram-se recursos para saldar inúmeras obrigações de responsabilidade da GZM S/A e da GZM Participações Ltda., empresas do sr. Luiz Fernando Levy, em sua maioria decorrentes de processos trabalhistas e dívidas com fornecedores (...). Tais adiantamentos fazem da CBM credora da Gazeta Mercantil S/A. (...) Não é sem constrangimento que se vem constatando que os dirigentes da Sociedade Anônima da GZM agem de forma contrária aos dispositivos do Contrato de Licenciamento. Sobretudo na tentativa de atribuir à nossa empresa, de forma infundada, inconsequente e irresponsável, condição de sucessora das obrigações trabalhistas da GZM S/A e da Gazeta Mercantil Participações Ltda., com a finalidade de salvaguardar interesses pessoais do seu controlador. (...) A CBM já manifestou formalmente à empresa de Luiz Fernando Levy que está disposta a colaborar para que se dê continuidade, sem interrupção, à publicação do jornal a partir de 1º de junho. Caso a empresa de Luiz Fernando Levy decida não assumir suas responsabilidades como editora do diário, o direito de uso da marca poderá destinar-se a entidade sem fins lucrativos criada mediante entendimentos entre funcionários e o Tribunal da Justiça do Trabalho, com vistas ao usufruto de rendas oriundas da comercialização do jornal. Estamos dispostos a colaborar com essa alternativa, caso ela seja de interesse de todos. Consultas nesse sentido estão sendo realizadas pelo Departamento Jurídico da CBM junto a autoridades competentes e funcionários. Nos próximos dias, este processo de transição, incluindo o reposicionamento de funcionários, estará a cargo de Eduardo Jacome, Jackson Fullen, Marcello D’Angelo, Djair Souza e Thereza Assunção.” |