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Jornalistas do jornal O Globo estão sofrendo grande pressão para não aceitar a marcação de ‘ponto’ determinada pelo Sindicato estadual em sua luta impor para controle contagem de horas trabalhadas e evitar abusos. Nesse trabalho de ridicularizar a medida foram cooptados grandes articulistas da imprensa carioca. A atitude de O Globo é no mínimo estranha, já que a maior empresa do grupo, a TV Globo, tem controle de jornada por meio da marcação de ponto (veja nota de solidariedade do SJSP abaixo).
A coluna “Por dentro do Globo” do dia 2/4 afirma que o ponto foi uma “exigência” do Sindicato dos Jornalistas. Em resposta, em sua página internet, o Sindicato respondeu que “apenas deu vazão a uma reivindicação de mais de uma década dos jornalistas do Globo. Não daqueles que, em alguns cargos de chefia, recebem vários salários extras no fim do ano, mas os que transpiram, horas a fio, para buscar informações de interesse público. Em resumo, os que realmente agregam valor ao jornal”. E mais além: “Se o jornalismo é incompatível com o controle de horas extras e sua qualidade depende de longas jornadas não remuneradas, como repete todo dia O Globo, estaria a maior empresa do grupo, a TV Globo, praticando um jornalismo de segunda? Há muitos anos, com o apoio do sindicato, os jornalistas da TV Globo conquistaram esse direito, que se espalhou pelas emissoras de TV e rádio. O Globo agora ameaça demitir, acabar com feriados ou exigir que seus jornalistas trabalhem no mínimo oito horas por dia como punição por terem cobrado seus direitos. Essa exigência não ocorre nas redações onde o Direito chegou primeiro. Na TV Globo, por exemplo, quem trabalha sete horas não é descontado em uma hora. A lei prevê, sim, o direito a uma hora de almoço, mas alguém acredita que um editor abandonará o fechamento ou que o repórter deixará uma apuração pela metade para correr ao restaurante? A burocracia à qual O Globo se apega nada tem de romântica. Não passa de ameaça para forçar os jornalistas a abdicarem de um direito universal: serem remunerados pelas horas trabalhadas.” Em solidariedade aos colegas do Rio, o SJSP soltou a nota que segue: O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo vem prestar solidariedade e apoio ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, que vem sofrendo ataques das empresas jornalísticas atingidas pela exigência de se instituir o registro do “ponto” nas suas redações. Como é notório entre os jornalistas, a ausência do ponto para registro das horas trabalhadas é um dos principais fatores de precarização da profissão, ao impedir a aferição das horas extras e, consequentemente, possibilitar o calote nas horas que o profissional permanece à disposição da empresa, além daquelas que fazem parte do acordo no contrato de trabalho. O controle da jornada de trabalho é legal, determinada pela CLT para todas as profissões, sendo ilegal não fazê-lo. Todas as artimanhas estão sendo usadas para pressionar e assediar os jornalistas para que se recusem a utilizar o “ponto” como forma de registro do trabalho que realizam. O jornal O Globo, por exemplo, em matéria falaciosa, equivocada e mal intencionada publicou uma constrangedora foto de uma profissional assinando o ponto, em um claro gesto de assédio moral. Estamos certos de que os jornalistas do Rio de Janeiro, representados pelo seu Sindicato, saberão resistir às investidas patronais e defender nossas conquistas trabalhistas, com efeitos que repercutirão na luta de todos os jornalistas brasileiros. Despedimo-nos confiantes no êxito de mais esta luta com nossas Saudações Sindicais. Guto Camargo presidente |