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Campeã
da desigualdade, a sociedade brasileira tem como uma de suas características
centrais a tolerância à injustiça, ao autoritarismo
e aos preconceitos. Essa herança funesta, que resiste quase intocada
depois dos cinco séculos de história de nosso país,
não desaparecerá espontaneamente. Ela se perpetua por que
sua manutenção faz parte dos dispositivos ideológicos
que justificam a manutenção dos privilégios dos ricos
e só irá mudar se houver um forte movimento de opinião,
em favor dos que sofrem com essa injustiça. Para fazer isso, é
preciso que os setores da sociedade interessados em criar uma verdadeira
democracia, com igualdade e fraternidade, atuem organizadamente. Dados do
Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho, realizado
pelo Dieese para o Inspir, demonstram uma situação de reiterada
desigualdade para os trabalhadores negros de A comparação
das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador,
a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não
negros. Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma
distância de 40% entre as taxas de desemprego e as duas raças
(etnias). Nas regiões metropolitanas de São Paulo e Porto
Alegre, a cor discrimina mais no desemprego que o sexo do trabalhador,
ou seja, as taxas de desemprego são maiores entre homens e mulheres
negros que entre as mulheres não negras. O mesmo efeito Os rendimentos
dos trabalhadores e trabalhadoras negras são sistematicamente inferiores
aos rendimentos dos não negros, quaisquer que sejam as situações
ou os atributos considerados. Eles expressam o conjunto de fatores que
reúne desde a entrada precoce no mercado de trabalho; a maior inserção
da população negras nos setores menos dinâmicos da
Estes dados
divulgados pelo Inspir não deixam margens à dúvida:
a discriminação do componente negro no mercado de trabalho
é a expressão mais contundente da cultura racista e Jornalistas
Negros Outra tarefa
da Comissão é acompanhar e dar repercussão ao noticiário
relacionado à questão racial. A idéia aqui é
interferir junto aos diversos segmentos envolvidos na produção
das notícias, a fim de reduzir as distorções decorrentes
de visões etnocêntricas e também para permitir que
o negro tenha na mídia uma presença proporcional ao seu
peso demográfico e cultural na sociedade brasileira. Isso será
feito por meio de cartas às colunas de leitores, A proposta de estimular a capacitação dos profissionais que já atuam na imprensa para que tenham uma melhor compreensão da questão racial vai no mesmo sentido. O pressuposto aqui é que os cursos de graduação e a sociedade em geral não permitem que a maioria dos profissionais de nossa categoria tenham uma visão clara dos problemas que afetam a comunidade negra brasileira e que isso gera distorções na abordagem de temas de interesse do povo negro. Existe aí um campo aberto para trabalho em conjunto com o Departamento de Formação deste Sindicato. Organizar
um Banco de Dados sobre a questão racial e a imprensa negra é
uma tarefa que se enquadra perfeitamente dentro do objetivo de tornar
o Sindicato um prestador de serviços. Um arquivo desse tipo, se
bem organizado, será de grande utilidade para jornalistas e outros
pesquisadores que precisem de informações sobre esses temas,
e também seria um A utilização
do Jornal Unidade para divulgar matérias e discutir temas
relacionados à questão racial já vem acontecendo.
É preciso, no entanto, ampliar o número de colaboradores
que escrevem sobre o tema, para que as matérias não fiquem
restritas ao que pode ser produzido pelos integrantes da Cojira. A publicação
deste texto no site do Sindicato marca o início da utilização
da internet pela Comissão e deve ser o ponto de partida para a
criação de uma Amélia
Nascimento Leia a tese
"Visibilidade
às Questões Étnicas nos Meios de Comunicação
e no Mercado de Trabalho" |